UFPE reavaliará 188 cotistas raciais desclassificados

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Foto: Arthur Mota

Após realizar um protesto nesta terça-feira (12), em frente à reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), exigindo justificativa sobre os motivos que invalidaram as autodeclarações de 188 candidatos cotistas raciais, uma comissão formata por estudantes e alguns familiares foi recebida pelo pró-reitor da universidade, Paulo Goes. Na reunião, ficaram determinadas as datas para a reavaliação dos estudantes requerentes, nos dias 21 e 22 deste mês.

“Os critérios adotados estão no artigo 7.11 do edital, explicando que vamos avaliar exclusivamente critérios fenótipos. A expressão mais clara do fenótipo é a cor de pele, mas existem outros indicadores também. Nós seguimos o protocolo do Ministério do Planejamento”, explica Goes. Ainda segundo ele, os alunos reavaliados não contarão com a presença da mesma banca. Outra preocupação dos candidatos diz respeito à garantia do número de vagas após essa reavaliação.

“Eles prometeram que, se minha filha passar nessa segunda avaliação, a universidade vai garantir a vaga dela, mesmo que a turma já esteja toda preenchida. Espero que cumpram a promessa”, contou a mãe de uma das candidatas. Este foi o primeiro ano em que a UFPE adotou essa metodologia, realizando entrevistas com candidatos autodeclarados pretos e pardos antes da realização das matrículas.

A universidade ofertou 6.972 vagas por meio do Sistema de Seleção Unificada (SISU), das quais 2.400 foram destinadas às cotas étnico-raciais. Com a nova etapa, 280 estudantes tiveram suas autodeclarações não validadas. Desses, 188 pediram reavaliação por parte da universidade. Alguns candidatos relataram que resolveram protestar porque a entrevista com a banca avaliadora teria sido muito superficial, fazendo com que a forma em que foram avaliados não fosse justa.

“A entrevista foi mecânica. Cheguei, li um papel que tinha meus dados para uma câmera e fui embora. Eles mal conversaram comigo”, relatou a estudante Giulia Caroline Oliveira, aprovada em medicina. A estudante Letícia Carolina Luna desabafou sobre a insatisfação ao ver o resultado divulgado no último dia 6. “Eu me senti incapacitada, chorei bastante. Na hora, nem sabia a quem recorrer. Ainda não entendi o que está acontecendo, quais foram os critérios que eles adotaram.”

 

Folha de Pernambuco

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